Domingo

Posted: terça-feira, 30 de junho de 2009


É manhã
A chuva é fina
É domingo
O som é de sino
É preguiça entre pingos
A saudade é uma esquina
É minha fé à míngua

A festa é junina
É cedo na praça
A cantoria é começo
É o abraço sem artimanha
A voz é lembrança

É minha a sina se abrindo
Nossa é a simplicidade
É o descanso da rotina
O ritmo é a cidade

E aquece a tarde




Imagem:
A rest, por E.m.m.a..



₢ Beatriz M. Moura
Compulsão Diaria
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Over Heat

Posted: domingo, 28 de junho de 2009
(pra MJ 58/09)


a juventude pode tudo
andrógeno, skin head, cabeludo
sonhos mixados
potenciômetros desalinhados
auto-falantes saturados
groove
punk
heavy
menina bolinando menina em qualquer esquina
menino bolinando menino em qualquer destino
over dose, over pose, over close, over heat
punch
lunch
brunch
guitar over flow


cross over
-------------------------------------------
hoje esperei pacientemente
alguns velhinhos subirem as escadas
à minha frente

Amanhã, subirei eu...
(será que vão me esperar ?...)



©joe_brazuca-MMIX-sp/sp/br

Malazartes

Posted: sexta-feira, 26 de junho de 2009
Flutua nos olhos,
Brilha na pele
Tua alegria que fere
Brios e zangas.

Tua infância levada
Deslizou com a serpente
Do teu tempo esticado
Teu amor pelos cavalos
Teu mar solitário
Teus sentidos amortecidos
Teus venenos purpurina
Tua coragem bêbada
De medo solto na fumaça.

De éter foi teu flerte
Tua sina de rebelde
Tua vida contra morte
Teus anjos da guarda exaustos
Teu sorriso presente.

É terna minha confiança, malazartes,
Ao ver-te rasgar tuas crises
E furar tuas dores,
Aprendo contigo
A quase morrer e voltar
Eterna criança sempre viva.

© Compulsão Diária
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BENNYANA FLOR SELVAGEM

Posted: terça-feira, 23 de junho de 2009

BENNYANA FLOR SELVAGEM

Ao mestre Poeta beat Benny Franklin

Ah! Homem de carne
Na sua ínfima pele
Escute, ouça o grito, o alerta
Daqueles que vieram, como eu,
A sorrir do desdém da vida,
Das escadarias de areia em quedas
Que guindaste usou na usurpação
Com a palavra do Olho,
Olhar tão próximo, mas, ao longe, já havia visto
O temor dos incompetentes, dos frangalhos,
Afagando carências
Dos andantes que pedem clemências.
Fogem, mas retornam, fogem e fogem
Chorosos mentirosos pecadores
Fracos nas couraças furadas e fétidas
Ah! Homem de carne...

Vens com logomarcas, selos,
marcas de nada, do acaso, amanhã fora de linha.
Pilotas esses carros de lata em rodas negras
Porque a coragem está nas rodas de fogo
Nas suas carruagens, carroças,
Querendo se aproximar de mim
Mas... pestaneja... Repele-me... Por quê?
Tens receio da vergonha
Da constatação que és triste espírito
De luta e labuta, e não partilhas pão e nada
E teus pés fincados com as unhas
do Diabo que te toma, roubando-te
Uma putrefacta possuidora,
Numa quase pena máxima sem valor
Ah! Homem de carne...

Pede socorro sorrateiramente
mas se assusta, desconfia, coalha
Sente saudade, mas na presença, falha!
Mas eu confio, creio.
Ah! Homem de carne...

Estrutura teu cérebro, tua cabeça
Com a minha mão meiga e grossa da verdade.
Ajoelha, e que doam teus ossos, mas pede perdão
Fica perto dos reencontros escritos, do eterno
Do Universo enigmático, mas certo.
Ah! Homem de carne...

Poetando eu te coloco em meu colo
Sei que te incomodas com o calor de mim
Com as lágrimas invisíveis de sangue e mel
Com meu beijo sincero, quase uma inocência
Tu te aproximas de mim...mas corres de mim
Julga-se são, mas neurótico insano
Porque não crês na boa palavra
Nem na mulher absoluta, a Flor
De pétalas que perfumam pulmões,
Que agasalha as montanhas
Onde os ímpios habitam, labaredas ferozes
Salvaguardando seu semelhante, seu Amor
Cuspindo sementes,
Que amarra, abraça, sustenta
Árvores decaídas, semimortas
Pois mulher desejo é de cedro
Não tomba, olha sempre Céus
A roda, a família...
Ah! Homem de carne...

Fraquejou com seus ossos plásticos
Porque quer o verde pardo da cédula,
E eu, só amo a sentença:
In God We Trust
Ah! Homem de carne...

E nas suas semelhanças
Quer ser moderno com objetos
Que amanhã serão escarros, lixo nos ralos e rios,
Gavetas estufadas gotejando suores alheios.
Resguarda tua pureza, eu peço, imploro!
Vim como leite de caule,
A seiva azul ao prisioneiro, ao refém
Mas tu mamas carne podre, vadia, prostituta...
Coitada, louca que será um dia judiada, apedrejada
Se assim já não é...
Ah! Homem de carne...

Engasgas quando me vês, talvez sintas inveja
Talvez pela grandeza selvagem que amedronta
Mete medo, admiração...
Mas incapaz não sorves, bebes ou mastigas
A Orquídea lubrificada de Amor
Ou o fruto de maracujá que sou
Porque adoras quem te bate, maltrata
Masoquismo tresloucado invisível
Maquiavel de teus 'ontens'
A vil, a pútrida
Maçã
Ah! Homem de carne...

Cuida de ti.



Cíntia Thomé


novembro 2008

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Jacintas

Posted: domingo, 21 de junho de 2009
Vi uma jacinta
Levar o dia nas costas
E sumir no horizonte

366 jacintas
Sumiram no horizonte
Levaram o ano bissexto

As jacintas levaram o ano
E deixaram seu rastro
De sóis apagados
E muitos presentes

Um terreno pra José
A saúde de Maria
O emprego de Leonor
O filhinho de Dozé
A carroça de Jacinto
A prenhez para Jacinta...

Faltavam 120 jacintas
Quando meu presente
Caiu das asas do dia:
Aquele dia não perdi
Não perdi mais nenhum
Vi todas as jacintas
Ao lado da mulher amada
Que caiu de uma jacinta

Band-Aid-kura-kaos

Posted: sexta-feira, 19 de junho de 2009

Onde estou, só asfalto,
sem mato
abro a janela
e me mato
polui_som barulho
debulho, tudo bagulho
carro+carro+carro+carro+carro+carro+carro+carro
stressssssssssssssssssssssssss
gente_e_gente_e_gente_e_gente_e_gente_e_gente_e_
num ha quem agüente tanta
gente_e_gente_e_gente_e_gente_e_gente_e_gente_e_
todo mundo triste e ausente
gente que num desiste, insiste
só o corpo presente
indiferente
distante
colados do lado do outro lado
calado que nem gado
sempre atrasado
só traslado
de corpo abalroado...

Tô querendo mato, água de fonte, grilo falante
bosta de bicho, folha, árvore pra sol escaldante
barro no pé descalço, balança de corda
som de riacho, canto de galo que acorda
fumo de rolo, café, fubá dentro do bolo
sentado na soleira da porta, ler folhetim
colher inhame, alface, pimenta, tudo da horta
cheirar rosa, camélia, cravo, arlequim
água de cheiro, banho de rio maneiro
gosto do angu com taioba, tempero mineiro
e depois de almoço, café da tarde
traguinho de cachaça, garganta que arde
tirar uma sesta na rede de trança
daquelas que até ventarola balança
ouvindo uma moda daquela, antiga
de viola soando brilhante,de sete cordas
em volta de gente amiga
alegre , sonolenta e vadiante
onde pouco importa todo o tempo
que já vai indo...indo...embora com o vento...
E na noitinha mansa chegando
deitar no remanso de toda essa lida
com meu amor, cheiro de flor,se encostando
fazer devagar,sem nenhuma pressa
aquilo que é precioso, e bom à beça
o que tem de melhor nessa vida...

©joe_brazuca-MMIX-sp/sp/br

CORDA SOL BACH

Posted: quarta-feira, 17 de junho de 2009



CORDA SOL BACH

Nada mais recorda
A corda em sol
Cânticos, o solfejar
Estático pardal
No fio do varal
Lençol a flutuar
Na fresca manhã
Ao vento cambaleante
Chorando... Chorando...
Porque a chuva vem
Cânticos orvalhados
Respingos na vidraça
E a traça caminha em compasso
Em sol de Bach
Pelas rotas páginas,
Carta em palavras dantes quentes
Alinhadas escritas, outrora
Traçadas de uma vida ardente
Dos desejos em lampejos,
Agora, mudos, silenciosos, mortos
Gotas de chuva
O pardal no meio fio
O lençol pesado em cinzas
Recordar já não posso.
A traça vive da carta lacrada
Do vazio de amor, do nada
Nada mais recorda
Ária na corda sol
E eu, ossos.




cintia thome

.

Destroços

Posted: terça-feira, 16 de junho de 2009


©joe_brazuca- MMIX - sp/sp/br

Meus mortos

Posted: sábado, 13 de junho de 2009
Meus mortos estão fartos
Das preces fáceis e vãs
Voam em fluxos, acaso
Sorriem brisa às manhãs
Perdoam -me ao meio dia
E frios pedem fios de lã

Poema Molhado

Posted: quarta-feira, 10 de junho de 2009

O raio divide o azul

Que se acinzenta num repente

Plúmbeo firmamento úmido

Que se desfaz

 

Os tambores de Poseidon

Ecoam em prédios e nuvens

Labirinto luminoso que desce

Driblando as gotas

 

Éolo esvazia os pulmões

Levantando saias e telhas

Arremessa o pássaro em novo rumo

Nada mais voa

 

Despenca e corre em rios

A sujeira do ar

Pinga líquida e lava o solo

Encharcado e feliz

©Marcos Pontes

Ressaca

Posted: segunda-feira, 8 de junho de 2009
Meu olho corre*
Fato e foto
Nos grafos dessa luz
Que encantam meu afeto
Último ístmo
De onde parto e naufrago
No estribilho
- realismo é arte ultrapassada -
Sussurado por desconstrutivismos
Agarrados no costão
Lavado pela maré que vaza

À margem dessa trilha,
Vejo-me cindida,
Sargaço sem mar
Bóio em jogos,
Correntes gramaticais,
Coberta por nuvem
Carregada de signos,
Significantes cinzas,
Sinais sem sujeito

Amanheço em solidão afásica,
Desnaturada, afundo
Versos e poemas na ponta dos remos
E a língua em aclive, gagueja
Se poesia é a liberdade
Da minha linguagem
Por que escrevo com medo de errar?

Erguem-se abrigos, casebres pós-modernos
Onde vivo solta à beira de abismos
Presa, por um fio, nas algas narrativas
Entrevistas como dejetos
E experimento prazer na falta de ar

Diante da perda de referenciais,
Afogo, no vórtice das calamidades,
Rima, ritmo, métrica, tema
E os leitores desamparados
Que me acusam.
Um diz ser o excluído
Do umbigo com que escrevo
Outra reclama ver prosa
Nas imagens - meu desejo de poema

Sem piedade, cometo heresias.
Quebro-me para ser capaz de andar
Sobre júbilo múltiplo
Pós - tudo, aguerrida
Tropeço em Barthes e Derrida,
Chuto Foucault
E adeus, Delleuze

Minha nostalgia - Âncora e brecha,
Resgata-me. Nado pelo meio,
Atavesso a ressaca
De olho na palavra encarnada,
Falo em silêncio,
Agarro-me à letra,
Alcanço o porto sem cais
Minha única saída



Imagem: Foto de Marco Antonio Cavalcanti - publicada em O Globo Online

*Fui ler Água e Sal e voltei ardida pelo soneto e pela imagem,
culpa do Henrique que escreve tão bem.


₢ Beatriz M. Moura
Compulsão Diaria
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SALVADOR DA FULÔ

Posted: domingo, 7 de junho de 2009



(Já que Joe Brazuca fez uma música entao resolvi postar para aproveitar o clima
destas últimas postagens no Poesia Aberta)

Dedicado a todos os nordestinos e a Marcos Pontes e Bea Moura Pontes, pois Bea esperava Marcos em Sampa para o lançamento do Livro D'Acolá de Marcos



SALVADOR DA FULÔ


Minha mainha rezadera
Reza pra ele vi mi buscá
Di modo qui num quero
Sentinela chegá e me pegá
Antes que alevante a morte
Quero flor di amor
Seja na chuva o nu calô

Sou mulé di cantadô
Di radinhu de pia e viola
Sou a primeira fulô
di retirante de sum paulo
Da cidade grande escangalhada
Dexô chero de pimenta
Pra me matá toda di vontade

Trais meu homi outra veis
Pois num si esqueci dessi homi
O dono do boi que mi encantô
Faço trancinha bem bunita
Um só vestido de chita, sem enxová
Só um beijinho doce e muita fita


Quero brincá di roda
Meu par na foguera pulá
Com banda e vetrola
Banderola e balão lá nu alto
Junto as estreila
E um padinho pra casá
Um punhadin di guiné e alecrim
Uma cruiz e o Nosso Senhô

Pois tenho no fundo desse coração
Uma riqueza imensa
Di cuentru e manjericão
Um resguardo danado de sabô
Dessi safado do sertão
Que num feiz me arreliá
Meu Menino em questão
Ô meu amô!

Minha mainha
Tem dó di mim, di mim
Puis veila pros Padinho
Nas incruzilhada do distino
Ciço e pro doutô ACMs pra aliviá
Pra modi qui eles adiantá a licensia
Minha querência do forastero salvadô
Fazê minhas aligria, me conquistá
Meu querê, meu amô

Trais mulé de Deus
To doida di sodade
Sodade...Sodade!

Cíntia Thomé
Publicado em outubro 2008



1983 refeito em 2007/08

ACM = ACMS - Antonio Carlos Magalhães, com todo o respeito, homem público, foi Governador da Bahia.


Imagem: Marilia Carboni



(sorry a referencia...Salvador da Fulô)

.

Tema de Caine

Posted: sábado, 6 de junho de 2009
Na velocidade dos gestos
A ausêcia revela
A existência do possível

Do fundo de que universo
Ele me distingue
Livre das manchas mortais

Lavado e esplêndido
Dos dias e das noites
Vividos antes do naufrágio





From the tiger, he learns tenacity and power. From the white crane, gracefulness. And the dragon teaches him to ride the wind



Baião de 3 por 2 ( pra Denoraldo e Inaura...)

Posted: quinta-feira, 4 de junho de 2009



Trilha Sonora Original. (homenageou a poesia de Compulsão Diária e Marcos Pontes "Dueto", que pode ser lida abaixo:

"Dueto"


Denoraldo:
Venha cá, essa menina,
Não se faça de difícil.
Conheço tua vida e sina
Tu já se tornou meu vício,
Sei que dançou em Cajazeira,
Já cantou em São Patrício,
Arribou para Barreiras
E hoje está pro meu bulício.


Inaura:
É não, homem!
Você não vive sem ela,
Eu não vivo sem você.
Minha paixão valente
Agora é amor, meu bem.
Verdade verde conforme
Aquela tarde dentro imensa
Estrada aberta marginal

Denoraldo:
Ela é coisa que já foi
Num existe mais nós dois
Ela é vaca sem seu boi
Sou o outro do depois
É a ti que agora quero,
Meu guaiamum com arroz,
Pra ti sou home séro
Vem pra mim, ora, pois!


Inaura:
Verdadeiro amor que amo,
Querer bem sempre não é assim?
Gostar direito com seu coração no colo
Ninar seu sentimento, minha sorte
Ser chuva serena que acorda o rio,
Leva embora seu malfeito, traz a flor
E o vento fresco. Diz, então:
Vai, aventura afetuosa ser sua ela dele agora.


Denoraldo:
Santo Antônio me ouviu!
Monta de pronto na garupa
Voar pra serra como o pio
De anu preto. Upa! Upa!
Nossa estrela já surgiu
Brilhosa como niuma.
Nesse brilho me avio
Nova vida se apruma


(Compulsão Diária e Marcos Pontes)


©joe_brazuca -MMIX -sp/sp/br

A Foice

Posted: terça-feira, 2 de junho de 2009

Na sombra paralela

Ela caminha soturna

Lépida, silenciosa

E corta pronto

 

Aguardada

Desejada e alívio;

Surpresa,

Dor é lágrimas.

Não seleciona,

Como enxurrada

Arrasta a todos

Cedo ou mais cedo

 

Tudo se resume ao segundo

Ao instante final

Onde cessa a dor e o riso

O suor e a saliva

O sonho e a vida

Tudo para, mesmo os olhos

Só os pelos persistem

O que foi nada deixa

 

O cubículo e as cinzas

O suspiro e a quietude

O choro e as rezas

O tempo e o sempre

A presença e o nada

O depois incerto

O talvez do talvez

Segunda-feira

Posted: segunda-feira, 1 de junho de 2009

Essa poesia toda explode
numa segunda-feira
sem beira, se esgueira
dizendo "não pode"...

Essa segunda-feira
numa poesia eclode
sem eira,nem queira
manhã, ressaca, cegueira
me deixa de bode
me fode...


©joebrazuca-MMIX-sp/sp/br
BlogBlogs.Com.Br