Sexta-feira

Posted: sábado, 30 de maio de 2009












Dia de Vênus em tua cozinha

Onde lavas manchas mortais

E assumes teu território

- Ágil Speranza -

De ternuras enfurnadas

No calor da massa que fazes para mim


Atrás de nós, o pôr-de-sol

Nas taças de cristal

- clepsidras tintas -,

Sirvo alma em vinho escuro,

Deito óleos, perfumo a casa,

Acendo madrepérolas


Enquanto apuras molho pardo,

Sou tua luz de lótus fálica

Tu, sabor maduro, és alimento

Vermelho-carmim tenaz comida

Homem ilha, acolhes meus naufrágios





*Speranza, ilha de Robinson Crusoé



Imagem: Pink Peony, por GFletch


Milton Nascimento - Cais




₢ Beatriz M. Moura

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Letras

Posted: quinta-feira, 28 de maio de 2009

Por navalha de grafite

A página lanhada

Se enfeita de signos

Nasce na brancura

Emaranhado de traços sonoros

Flui o tráfego de linhas

Em esquinas sequenciais

letras paridas do negro

Ruas e esquinas da língua

Entrelaçadas em sons

No silêncio do papel

O lápis grita

Ecoa em si mesmo

Vomita

Prosa, poesia ou bula

Gráficos lineares

Curvas e segmentos retos

Formam o nome de tudo

E do vazio

Escrevem

©Marcos Pontes

JE PENSE A TOI

Posted: quarta-feira, 27 de maio de 2009

Je Pense A Toi


Levito na noite
Traz uma chance
asteróides belos
na porta do brincar
do sonho
De descansar brilhando
Pela luz de teus olhos
Queimando
minha pele e corpo
Para que a transparência
seja dada
Somente a você
do amor
Que guardo
Penso
Assim
Em você
Brilho
De mim
Em mim
Nas manhãs cinzentas
um sol
Maior
sombra
Será tão sol
só o que penso?


Cíntia Thomé


8/08/2008







.

N'importe ou dans le monde
Chaque seconde je pense ä toi
N'importe ou dans le monde
Je suis ton ombre ou que tu sois

Non je ne peux pas rester
Mon rêve a un prix ä payer
Oh non je ne peux m'en tenir
A te regarder souffrir







.

Seca

Posted:

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Plano sem fundo

Seco
Branco ou preto
Sempre aterro deste poema

Eu

Pleno de vazios  em frente
Muro impassível do mesmo
Balbucio pessoal,
Gaguejo e tropeço
Na própria língua
- Planície arrasada -
Pelo visgo de sílabas mortas
Sobre papilas ávidas por palavras
Grávidas de palavras

Desisto, diz meu isso.

Imagem: lettera ad un'amica, por Ruby

;

-

;-

 

₢ Beatriz M. Moura
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Silogismos Sofismáveis (ou o Paradigma da trilogia escatológica)

Posted: segunda-feira, 25 de maio de 2009
[para o amigo matemático Marcos Pontes]

Possibilidade 1ª -

Premissa maior: Os ratos andam pelo esgoto
Premissa menor: O Congresso tem esgoto
Conclusão: logo, os ratos andam pelo Congresso

Possibilidade 2ª -

Premissa maior: No Congresso tem ratos
Premissa menor: No esgoto tem ratos
Conclusão: logo, o Congresso é o esgoto

Possibilidade 3ª -

Premissa maior: Existem ratos no esgoto
Premissa menor: Existe esgoto no Congresso
Conclusão: logo, existe um Congresso de ratos do esgoto


©joebrazuca-MMIX-sp/br

Ele

Posted: domingo, 24 de maio de 2009
Ele veio sem pressa.
Caminhando entre estrelas
parando aqui e acolá
para orvalhar
uma ou outra roseira.

Quando chegou
tinha os cabelos
molhados de luar.
E no bolso esquerdo
um raio de sol
que colocou nas minhas mãos
com tanta ternura
como quem deposita um beijo.

Por isso
acordei
com este brilho no olhar.
(Alcinéa Cavalcante)

Na Minha Cidade

Posted:

 

Na minha cidade as calçadas são montanhas

Escaláveis a cada passo

As pessoas conversam alto

Nos passeios matinais

 

Na minha cidade as ruas viram rios

Nas enxurradas de verão

E descem em cascatas as barrancas

Das margens das avenidas

 

Na minha cidade as árvores sobrevivem

A pão e água arrancados à força

Pelas raízes do solo estéril

 

Os violões andam mudos

E as gargantas afiadas

As conversas são truncadas

E as fofocas irradiadas

 

Na minha cidade os homens expõem o sexo

Nas jogadas de quadris como jangadas em vagas

E as mulheres carregam o sexo

Exposto e à vista nas testas nuas

 

Os botequins são mais e ganham menos

Que as igrejas proliferadas nos becos

Que rescendem a mijo e festas

Enquanto ainda ribombam os ecos dos tambores

 

Na minha cidade as lembranças são novas

E o futuro é como o de bebês que não o sabem

Nada se planeja para além do almoço

E nada mais se lembra depois da cachaça da noite

 

As pedras, pós e ervas proliferam nas vielas

De garotos amarelados e meninas prenhes

Onde não entra a justiça fardada ou a divina

E o que se usa agora são pedaços de planos

 

Na minha cidade senhoras caminham apressadas

Em moletons e tênis rasteiros, pulmões escondem

A artificialidade líquida dos cosméticos noturnos

Pressa ensaiada para antes do Sol nascer, vampiras

 

Funcionários públicos não funcionam

Pastores não pastoreiam ovelhas desgarradas

Médicos acusam Hipócrates de simplista pobre

E os pais dão os filhos para a escola criar

 

Na minha cidade estão os amigos espalhados

Do subúrbio pobre é escuro aos jardins podados

Dos bancos da praça às carteiras dos bancos

Inocentes ignoram meus insultos

 

©Marcos Pontes

Gata Arranhada

Posted: quinta-feira, 21 de maio de 2009

Flerta com a dor

E mia

Arranha e ama a cria

Vive resoluta

pelos cantos

Sem saber que a cura dói

 

Procura o calor da defesa

E deita-se ao lado

Sonha

Plácida e suave pelagem

Encobre o corpo que sofre

 

Ronrona na ponta das patas

Afaga

No calor e luz do dia brinca

Solta o bicho saudável teimoso

Alegra

E revive sete vezes

Menestréis de asfalto

Posted: terça-feira, 19 de maio de 2009


Na minha cidade vejo gente
gente de variados mundos
andarilhos, incógnitas, indigentes
sem eira nem beira
que se esgueira,
sem fundos

Na minha cidade pungente
vejo tristeza e testa enrugada
dando duro em apressado batente
maltrapilha, com a pele embrulhada
rancor de quem é desprezada
e a cada dia que passa,
em agonia
vê a vida em vão, esbugalhada

Na minha cidade imponente
vejo meu povo meio-matuto
cabisbaixo, vestido de luto
sob comando do astuto
que dita a dura impertinente
com fina lâmina de corte arguto

Na minha cidade vejo gente
que nada leva em mente
mesmo que se lamente
de um futuro indecente
onde se vê aniquilado
perdido, ferido e vilipendiado

Na minha cidade inclemente
vejo a tentativa insistente
de um povo dócil,
sempre carente
que petrifica igual um fóssil
oh! pobre dessa gente tão crente...

Na minha cidade vejo gente de todo matiz
são atores, mambembes cordéis,
pensadores, prostitutas, bacharéis
trovadores, alquimistas, menestréis
que vivem estendendo seus carretéis
a se equilibrarem, no meio-fio,por um triz...


©joe_brazuca-MMIX-sp/br

Vingança

Posted: segunda-feira, 18 de maio de 2009

 

A poesia dá na cara do falsário

O falsário só engana a si

E aos ineptos em poesia e letras

A gramática surra-lhe os fundilhos

De onde saem letras desarrumadas

Que o mau versador – malversador -

Estelionatário lexicográfico

Apresenta como arte

Excrementos literais

A poesia quadradinha também é poesia

Em seu quadratismo poe´tico

Quando o quadradinho escritor

Trata do ofício e arte

Com os saberes de dominador.

Poesias libertas, libertárias

Asas soltas enovelando ventos

Podem ser apenas amontoados rijos

De palavras emboladas

Mal casadas

Na carona de asas enrijecidas

Por talas de madeira dura

O falsário maquia com rouge e blush

A avant-gard de ontem como se novíssima fosse

Mal imitando Torquato Tom Zé Mautner Caetano Pignatari Augusto Haroldo Azeredo Dias Pino Goulart Gonringer Max Bill Max Martins Chopin Garnier Finlay Havel Jandl Katue Hansjorgen Mon Morgan Solt Spatola Emmett Mallarmé Apollinaire Oswald Cabral Pound Joyce Kilkerri Aranha Gullar Oiticica Amílcar Clark Papi Xisto Faustino Affonso Erthos Leminski Duprat Willy Wally Pierre Garnier Ian Hamilton  Vaclav Havel Ernest Jandl Kitasono Katue Hansjorgen Mayer Franz Mon   Mary Ellen 

A revolução já se faz velha

Crendo o bronco que é novo

O que refaz mal feito

Em fantasias e delírios de cego

Átrio

Posted:

 

 

Entre a palavra e a coisa
Resta de mim um naco
- Trago do desconhecido - 
Parado em  boca de serra

Lacuna de eu,
Onde mais sou
Largada ao lado

Sobre o catre dos desejos
E dos ascos
Amor e ódio parecem-me
Lagos de acasos
Afogados em poços
Destes sítios vagos

 

ninhos do impensável

 

Imagem: Atrium Upload feito originalmente por Howard J Duncan

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SOM

Posted: domingo, 17 de maio de 2009



Não tenho nome
não sou de ninguém
mas ando com você
Sei que sou a lira dos corações
a cuíca dos carnavais
Berimbau, berimbau
harpa dos anjos navegantes
o minuto da morte
o apito das fábricas, a aleluia

Não tenho nome
Não sou ninguém
Mas ando com você
Sou ronco dos automóveis
O trem e a partida estação
Canção de neném mamãe
Gemido falta de leite a fome

Não tenho nome
não sou de ninguém
mas ando com você
a porta fechada que range
Miado da gata no telhado
Berrante e o cajado
Brisa e vento no mar
Orquestra platéia
Aplauso, fim de cada ato

Não tenho nome
não sou de ninguém
mas ando com você
guizo das mentiras, chorinho
Pegadas do menino pela estrada
Farfalhar das folhas, medo
Brasa, fogo e incêndio
Veredicto das vítimas
Baque no asfalto do suicida
Ecoando socorro, sirene

Não tenho nome
não sou de ninguém
mas ando com você
Você não vive sem mim
Pulso alegria e desalento
Precisas de mim
mas eu posso me calar
Sem chorar

Quem sabe eu seja
o silêncio gritando
por você

cintia thome




.
Imagem NÃOSOUEUÉAOUTRA A HERNANDEZ, LISBOA , PORTUGAL

Acéfalo

Posted: sábado, 16 de maio de 2009
 
A cabeça na ponta do dedo
Vinte cabeças
Pés e mãos
Com tantas cabeças
E mais duas
Dá-se ao luxo de não pensar
Animal segue o instinto
De comer, andar
Dormir, fazer nada
Defecar no papel
E dizer que é arte
É apenas obra

COTIDIANO ©

Posted:
(...)

Começo ou esqueço + Não para de chover + As vidas vão deixando de passar + Os paralelepípedos e as onomatopeias adormeceram os passos + Há um desperdício de amor de mim + Queria alguma volta + Nada pra ver na TV + E quem disse que eu queria ver? + Cheiro de chuva é bom + Instintivamente me lava + E minha lava me escorre + Enquanto você de mim corre + Baita trovão agora engolindo tudo lá fora + Gelou a lembrança + Lembrei do meu pai + Alguém que se vai + Em mim é eterno + Preciso trocar meus óculos + Ando cega e não te vejo ao meu lado + Tem 10 pessoas online + Eu sempre sozinha + Você nunca está + Mesmo quando está + Vontade de sorvete + De morango ou Pistache + Vontade que tudo se encaixe + Tenho fome + Morro dessa fome intrínseca e intoxicante + Fome de vida que não dói + Fome de luta que se faz reconhecimento + Será que tem algo na TV que encha meus olhos de anestesias? + Preciso fazer backup + De mim principalmente + Guardar tudo o que eu fui + Eu costumava ser melhor do que eu sou + Melhor do que eu + Outro dia se finda + Ninguém me disse que sou linda + Me disseram sim que sou veneno + Amargo veneno + Doeu + Chorei minhas cicatrizes todas + As coisas são impermanentes + O acaso é aqui a qualquer instante + Faz frio + Lateja a ferida que você me abriu + Afinei o violão diferente hoje + Busco um outro som, um outro ser + Preciso compor denovo + Disfonia em moto-contínuo + Livre associação + Mas onde se escondeu inspiração? + Achei umas letras antigas + Acho que eu é que sou antiga + Queria ter conversado + Queria ter te dado o que em mim sobrou e eu abafo + Minha gata Wicca deitou do meu lado + Tudo em mim parece passado + Continua chovendo + Nada na TV + Alguém me tira esse fardo + Alguém me tira essa máscara + Alguém me tira essa roupa + Alguém me traz um café + Alguém me ama sem medo + Acho que hoje eu durmo mais cedo + Outro trovão + Aviso de explosão + Agora tudo chove + Ficou mais frio + Minha gata saiu + Vou tomar um banho + Buscar minha fonte + Dar-me algum prazer solitário e rompante + Chuva diminuiu + Meu mundo ruiu + De tanto pensar no que vou escrever acabo não pensando em nada + Saio palavras + Ensaio rimas + Melhor seria um verso em soslaio + Que dissesse ao que veio + Que não fosse tão feio + Promessas em vão + Nada mais me dá chão + Embotou o tesão + Ou é tudo ilusão + Calma! + Mais um minuto de atençao + Já chego logo ao fim + De você e de mim + Vou compensar a falta de conteúdo + Calar os meus dedos, deixá-los mudos + É tudo tão igual + É tudo tão...

O cotidiano é uma farpa infincada na sola do pé...
Febril. Inflamado!
Pronto! Conteúdo instantâneo.

Van Luchiari ©
*Texto registrado na Biblioteca Nacional.
Todos os direitos reservados ©


C'est ça !

Posted: quinta-feira, 14 de maio de 2009

...e pelo visto ela está em Paris,
n'est pas, monsieur ?
a moça atravessa a rua da praça
e traça a ignara massa

deixa a moçada devassa

sem tocar na manguaça


ah !...essa moça que na praça
passa e nos laça...
que graça ?


c'esta ça !

©joebrazuca - MMIX - sp/br

Babel Miau - versão 1

Posted:

mulher com gato no colo, upload feito originalmente por luarembepe.


Golden quente, o pôr-de-sol

Reflete mostarda,

Faísca mel, yellow soul


Frio é o desamparo

Árduo blue, neste final de tarde

Cool, busco abrigo,

Algum alívio flower

- Cinza rajada -


Na luz prata, ela me consola

Fada. Fate,

Invite me e mia meu destino

No tom

Silver Cat,

Minha gata
Brilha carinhos abertos
E treme
Faz ronrom
É dom

Ela e eu nuas em pelo

No ritual invisível
Do carinho
Ela e eu
calmas
aconchegantes
Uma no colo
da outra


* acaba aqui, Neusa? 

** não entendi o comentário do Joe. é pra por aqui na edição?

Diz que

Posted:


Era mínimo

mas já existia

Tornou-se pequeno

e ela não via

De pequeno

ficou mediano

mas o pano cobria

Eu vendo

ela não via

o sonho tirando a vida

que ela vivia


Neusa Doretto

Babel Miau

Posted: quarta-feira, 13 de maio de 2009

mulher com gato no colo, upload feito originalmente por luarembepe.


Golden quente, o pôr-de-sol

Reflete mostarda,

Faísca mel, yellow soul


Frio é o desamparo

Árduo blue, neste final de tarde

Cool, busco abrigo,

Algum alívio flower

- Cinza rajada -


Na luz prata, ela me consola

Fada. Fate,

Invite me e mia meu destino

No tom


Silver Cat, minha gata vira-lata

Brilha carinhos abertos

On the road, treme

Faz ron-ron, no meu dedo

Finger zelo - bright light


Somos ela e eu, nuas em pelo

Ritual invisível

Spiritual carinho

É dom


Ambas no colo, calmas

Até o final somos,

Too much,

Duas night fellows

Aconchegantes


Santana - Black Magic Woman

©Compulsão Diária

ESPETÁCULO VIVO! ©

Posted: terça-feira, 12 de maio de 2009
A vida que eu finjo é um circo.
E eu, palhaço de mim
dispo-me de todos os sorrisos
no calar do camarim.
No picadeiro da alma
eu domo as minhas feras
E o meu espírito despeja
todas as suas esperas.
Equilibrista de saltos
penso que existo:
Malabrista do acaso
Domadora de sobressaltos.
O trapézio me leva tão alto
para cima e além das vidas rasas.
E sem pesar eu me jogo no espaço
que fica entre o chão e minhas asas.
Olhos incríveis me habitam e seguram.
Mãos secretas me equilibram e curam.
E no momento do salto
Agarro me a mim mesma, enfim.
Cravo as unhas no meu sonho.
Reconheço o sorriso em mim.
Dispo-me da máscara.
Entrego-me ao real.
No picadeiro do meu ser
O espetáculo não tem final.

*Texto registrado na Biblioteca Nacional.
Todos os direitos reservados ©

Imagem: Google


DELITO

Posted:



DELITO
Ao Chico Buarque, com carinho.

Como expressar o que já foi
Deveria ir buscar a expressão
Não tem sentido expressar-me
Expressei em meus olhares
Não são mais expressivos
Expressar-me-ia se vida tivesse
Nem a cegueira seria boa expressão
Expressão com a boca
Não tem som, não ecoa
Não se expressa nem doída
Nem mordida!
Não tem mais pressa
Expressa talvez o delito
Talvez um erro de expressão
Um pecado...
Expressão do pleno ontem
Que hoje não é
E não será amanhã
Fazer o quê?
Se o coração não expressa
A real expressão do Amor
Que deixei certa e certeira no outro
E a verdadeira expressão
Foi embora
Levou o que aqui não ficou
A expressão não existe
Não delata
Nem o vazio seria...
Pois o vazio não é tudo
Não é mais nada,
Nem nada.

Cíntia Thomé


04/2008



.Imagem:CHICO BUARQUE Fotógrafa Glaudia Andujar- em 1968

Acaso

Posted: segunda-feira, 11 de maio de 2009
(gravura "Pavão misterioso" de Gilvan Samico)


Maria vinha de carro
Maria vinha de "a pé"
Maria vinha de barro
Maria vinha José

José tinha um sarro
José tinha sua fé
José tinha pigarro
José tinha rapé

Maria queria jarro
Maria queria café
Maria queria cigarro
Maria queria ter fé

José queria Maria
Maria queria José
José queria um dia
Maria queria, pois é


©joebrazuca-MMIX-sp/br

Natureza Morta, Cruel e Tarja Preta

Posted:
________Natureza Morta __________________________________________

Três laranjas e uma pêra

Verdes no vazio da fruteira,
Prenunciam vida na natureza
Morta sobre a mesa
À espera da alegria
De uma nova feira
__________ _____________________Cruel

Acordei uma aranha, hoje.

Levantei escura e fria
Espirrei veneno
Logo cedo
Na abelha benfazeja
Ela agonizava,

E eu? Bebia
Mel e morte
No primeiro café do dia
___________________

Tarja Preta __________

À margem da tarja,
Age a preta metade
Da tarde forjada
Por nervos frágeis

 


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Posted:


Vida, chega de farra :
O amor foi trabalhar pra manter o homem vivo
Não sei se volta ou é definitivo
E disse mais ainda
que poesia não alimenta a alma de quem sente
e que,meu Deus,___________A poesia mente!!!!



Neusa Doretto

Nada a fazer

Posted: domingo, 10 de maio de 2009

Nada a fazer

Por detrás das copas

Some a luz

Dia após outro

E nada podemos fazer

Se vem frio ou choro

Desconforto de papelão

Eco do ronco das tripas

Sem recheio, ocas

       Se falta abraço e sobra vazio

       Nada podemos fazer no escuro dos becos

       Na sombras estáticas

       Sob o lusco-fusco vermelhos das lanternas

Se não há teto nem estrelas

Se há sereno e chuvisco

Se água desce levando a cama

E os bueiros se enchem de pobreza

Nada podemos fazer

Se fecharam as escolas e inauguraram cadeias

Se derrubaram o cinema e abrigaram uma seita

Se arrancaram o sorriso com o último dente

Se esconderam as manhãs na penumbra dos prédios

Nada há de ser feito

       Se o arroz foi trocado por cola

       E a cola engana a fome teimosa

       E a pedra já não é só fuga, é hábito

       Se cada sentimento é camuflado

       Na dureza dos vincos precoces

       E a pele resseca e quebra na velhice adolescente

       Não há nada a ser feito.

Se a família foi trocada pelos iguais

E as paredes que cercam tem grades

Ou são as laterais do buraco raso

E a visão não segue mais que alguns passos

Até a cortina que esconde o futuro

Nada podemos fazer

Se livros nunca houveram

Nem brinquedos, papel e tesoura

Festa colorida de balões e risadas

Sonhos regados e adubados logo cedo

Afago e ensinamentos úteis além de um dia

Nada fizemos

Domingo

Posted:
Eu preciso de uma manhã
dourada de domingo
para sair por aí
assoviando numa bicicleta azul.

Eu preciso de uma tarde de domingo
enfeitada de borboletas e rosas
para atar uma rede na varanda
e embalar meus sonhos
lendo Quintana
e ouvindo Caetano.

Eu preciso de uma noite clara de domingo
para sentar na calçada
desenhar o mapa das estrelas
e jogar conversa fora com os vizinhos.

E depois dormir.
Dormir feito criança
sem nem te ligo para o amanhã.
(Alcinéa Cavalcante)

AMA-ME! ©

Posted: sexta-feira, 8 de maio de 2009


Ama-me!
Mas ama-me direito
que eu mereço cada segundo
das tuas imperfeições.


Ama-me assim torto e imperfeito.
Ama-me constante, devassidão e leito.

Tudo que é meu te cai bem. Te cabe direitinho.
Eu mereço estar em ti. Percorrer teu caminho.
É na tua imensidão que eu me meço e meto.

Ama-me!
Ama-me de frente, inteiro, profundo, do avesso.
Que eu mereço cada centímetro do teu apreço.

Ah, meu amor! Eu te peço.
Ou eu te devoro.
Ou eu te esqueço.


Por Van Luchiari ©
Texto registrado na Biblioteca Nacional. ©
Gravura de Egon Schiele

Salteña

Posted: quinta-feira, 7 de maio de 2009

Salgada salteña

umbu e saliva

suco de sertão verde

a palavra alva

seca na página sua tinta

rasga no vermelho


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a vidraça reflete a água e fonemas

o solo alaga-se de chuva e letras

corrente léxica subindo ladeira

correnteza gramatical arrastando barrancas

alagando a terra seca

Ars et Scientia

Posted:


Arte não serve para nada
Arte serve para tudo
Ciência não serve para tudo
Ciência serve para nada

Ciência é essência
Arte é quintessência

Arte é parte
Ciência é paciência

Ciência é eficiência
Arte é encarte

Arte é estandarte
Ciência é permanência

destarte
arte é ciência
ciência é arte

Discussões a parte, que se descarte
e com consciência , que se dê anuência !


©joe_brazuca-MMIX

Aparências e transparências (Absinto VII)

Posted:

O poder
No bolso
verossímil

Tão perto
Virilha
inverossímil

fraco
frágil
fiasco
fracasso


cintia thome



Olhos de Folha Minha



série absintos.

Agenda

Posted: quarta-feira, 6 de maio de 2009
Na segunda-feira
vou quebrar o relógio
rasgar o livro de ponto
jogar fora o celular
e mandar o chefe à merda.

Na terça-feira
vou atar uma rede
e embalar meus sonhos.

Na quarta-feira
vou acender sorrisos
e regar esperanças.

Na quinta-feira
vou plantar borboletas azuis
e colher flores e estrelas.

A partir de sexta-feira
vou viver só de amor.

Amor para a vida inteira
e alguns anos mais.
(Alcinéa Cavalcante)
Posted:
Paixão:
sensação de santa
chão frio e manta
E eu
fiel
com perdão
e
anel.
NDoretto

Samblavino

Posted:

Roda de Bamba, upload feito originalmente por Bieto.

Nota editorial:

Li os comentários do Joe. Resolvi incorporar no Samblavino. Tá aberta a obra pra sugestões. Se o samba virar tango, maxixe ou valsa, tá valendo! Desde que não saia da forma Blavino 1-2-3-1-3-2-1

 

*nota introdutória:

Faço parte do Estúdio e dei de cara com uma proposta genial dos colegas Volmar Camargo Junior e Juliana Blasina.

Eles inventaram um soneto assim constituído - número de estrofes: 7; numero de versos: 13, distribuídos a partir dessa sequência: 1-2-3-1-3-2-1; tamanho dos versos: o objetivo é que o poema comece e termine com uma palavra, e que vá "aumentando" até chegar ao verso-estrofe central. Batizaram lindamente sua cria: blavino. Bem Blasina e Volmar. Vi blavinos belíssimos lá no Estúdio. Colheita - Blavino-n. 1, Blavino Babel, Cat on rot tin roof, Iminente, Estrada. Todos em forma de flecha, que eles chamam de pirâmide.

Eu vi flecha: naquele momento era o que eu precisava; direção pra minha linguagem que se perdia. Se alguém quiser tentar, vale a pena, frequentar o estúdio e arriscar um blavino

Bum

Bumbum
Paticumdum é um

Prugurundum
, samba é tom
Pandeiro, reco-reco Tum coração, salto
É sim, surdo bate TU repinique no compasso

Mais um passo TUM e é
bum bumbum paticumdum

Tamborim,
 TU TEC Tum, violino bateria 
Vem no osso,  segura o plexo, é cuíca!
Arrasta o pé TEC TU e passa.

Cintura é ritmo, corta,
TEC volta, curto

Bum

 

1ª Versão

 

Bum
Bumbum
Paticumdum é um
Prugurundum, samba é tom
Pandeiro, reco-reco e coração, salto
É sim, surdo bate repinique no compasso
Mais um passo e é bum bumbum paticumdum
Tamborim, tectec tum, violino da bateria
Vem no osso, segura o plexo, é cuica
Arrasta o pé e passa. Bem curto!
Cintura é ritmo, corta e vai
Vem, volta, solta chuta
Bum

.

 

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Inesquecível

Posted: terça-feira, 5 de maio de 2009

Parceiros da Poesia Aberta, eis aqui a 2a. edição do "Inesquecível"- mexidinha básica na forma do poema. Melhorou? Ficou na mesma? Ou a 1a. edição estava mais clara? Aguardo, aí a intervenção,ok?

Algumas coisinhas dentro do seu armário

estão ocupando espaço

secando abraços

fechando os passos

para um novo amor.

Aquelas coisinhas se remoem
ainda
há anos

e
são danos
que
você come
e
noites que dorme
em panos
molhados.

No passado
em pranto

Quando
não é pra tanto.


Toca Fogo!

Neusa Doretto

Leve

Posted:

Levita!

Larga o ocaso pregado no chão

e levita!

Larga os galhos em que te penduras

macaco sem rabo

e levita!

Escora teus cornos no muro

e picha poema absurdo

e levita!

Rasga os velames dos balões

quebra as asas dos aviões

e levita!

Ama as putas como a irmãs

beija o padre como ao tio

rasga-se em muitos

e levita!

Pensa que já não consegue pensar

fala sem voz e grita

voa sem asas

Levita!

OXI.GÊNESIS

Posted:



@joebrazuca-MMIX

(D)(C)ENTRO(PIA)

Posted:

ATRÁS DA RETINA

Posted: segunda-feira, 4 de maio de 2009


ATRÁS DA RETINA

Contemplar obras de arte
Correr museus e galerias
Assim um catálogo de A a Z
Dos momentos insanos
Do outro
Mas atrás da retina
Sua obra de Z a A,
Labirintos, pegadas, riscos
Cores contemporâneas
Fotos instantâneas
Da estória
autoria sua
Não vês ainda mistério
interior coração
sanguínea sangra
se é vermelho, incógnita
tão vazio, cego
atemporal
como todas as artes
artimanha
igual
de todo artista

cintia thome



Olhos de Folha Minha

.

(Flesh)back

Posted:

mien_pt_skin99marked

Skin flesh, por Redredday

 

Arranco da morte
Vida  rubra  lembrança,
Sangro a palavra,
Disparo prazer perdido,
Volto em código,
Cifro olhares
Armados na crista do sorriso

Cresço
O dedo em riste no gatilho,
Disparo deleite antigo
- Bela da tarde -, vivo
Deformando o percebido


Só pra valer, escrevo
Reclamações ridículas
Aniquilo anedotas,
Desvaneço certezas,
Engulo o passado em pílulas
Limpas, loucas

Arrepio no cerne do incerto,esqueço
Notícias, uma por uma,
Deslizam nas vidraças
Nos espelhos
Lembro, derreto e passo

Sobrevivo
Na gaveta  da infância,
Adormeço abraçada no ontem
E o corte presente 
Em carne marcada,
Sedada na sala de estar,
Agrava o acento de um desejo

 Santana - Samba pa Ti

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Entardecer

Posted:
Te prometo, Poeta,
que no próximo entardecer
vou pintar um arco-íris
pra deixar tua tardezinha
menos triste.

Hás de sentir que o entardecer
pode ser tão belo
quanto o alvorecer
que ilumina teu rosto
e abre sorrisos no teu olhar.

Presta atenção, Poeta,
o entardecer é um momento solene
no qual Deus apaga o sol
para acender a lua e as estrelas.

Principalmente aquela estrela
que tanto te encanta
quando estás tecendo sonhos
e versos
na madrugada.
(Alcinéa Cavalcante)

Urubu

Posted:


Urubu
pungá
cai na praça
paço


caá
de chá
cachaça


caçador
bico curvo




campeiro


sodade


da-cabeça-amarela
disfarce
bem-te-vi


da-cabeça-vermelha
piroca
pemba


da-cabeça-preta
anu
cagão


gameleira
bicho e planta


jereba
ave e pangaré


ministro
engana e furta


paraguá
reizinho de coroa


peba
bicho ruim



peru
persona
dupla


rei do mangue
domingo


retama na serra




sservar

de olho


timba


imperador


zada de montão
tantos


zama um monte
feira


zar
serva
fofoqueira


zinho
menininho


bicho preto que avoa




voo preto que bicheia




ovo branco que empretece




voo em ovo que emputece



bicho e bico feios


viés em queda negra


terra e asa de negrume

carniça










.

Ain vem o trem !

Posted:


Ain vem o trem !
e vem o trem !

estrib’arriado
zóio esbugaiado

Ain vem o trem !
e ain vem...

- miniiiiiinu !...afasta dos triiu, seu peste !

ain vem o trem !

chicubode- chicubode- chicubode- chicubode

ain vem o trem !

- miniiiiiiinu !...chore não, mo fiiiiu...

- mainha foi no trem, madinha...

quijafoi- quijafoi- quijafoi- quijafoi

Ain foice o trem !
e foice o trem...


©joebrazuca-MMIX
(especial para Poesia Aberta)

V

Posted:
Vivo o uivo                      
  o silvo               mitral    
    vaga           válvula      
      voa       a        
        vertical   uivo          
          o            
o vazio                      
  mortal                    
          a vaca verde                
        vende o véu   vermelho      
    vibra    o alvéolo              
       a veia vela o vício          
      o Vaticano     se   vinga      
      da vírgula   velha          
            ventral   varíola      
                varicocele      
           para o óvulo da víbora      
vasta vergonha   a vasculhar    com   vassoura          
as raízes   da primavera                
       o vagabundo varrido              
    vadia                  
        vigia o vigia          
                       
          que vigia o varal          
  várias vezes       o vendilhão              
     foi visto                  
      veludoso                
      venerando       a   vulnerável          
        virgem              
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