A Ilha (ou Feliz Ano Novo...)

Posted: quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
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LIMITAÇÃO

Posted: terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Imagem: autoria Cíntia Thomé


LIMITAÇÃO

Cheio de dedos
Não há verdadeira mão
Nem fortes braços
Decepe todos os dedos
Da alma
Tantos passados, tantos medos
Tantos anéis que limitam
Que fazem a tua ambigüidade
Segredo e mistério
Colherá abraços
O tanto que te falta

Cíntia Thomé





Agradeço a todos que compartilharam comigo este ano. Foram bençãos, bálsamos à minha ama tão pequena às vezes, mas desejo a cada um a maior Paz no coração, em seus lares, em suas cidades, no Mundo....
Um Natal repleto de risos e 2010 com realização e junto a Deus sempre!


bjus a Todos e Obrigado...Obrigado....

Cíntia

DESFLORADA ROSA

Posted: terça-feira, 17 de novembro de 2009




DESFLORADA ROSA

A inocência dos brasis
Terras áridas, sertão
Ser tão criança sonhada
Em todas as Europas e Américas
Há o bicho em pelo
A sagacidade, a maldade
O bem querer querendo
O desejo tresloucado
Rapa o tacho
Da infancia doce
Preliba o alheio
Em gozos saciados
Cuspida eterna
Na carne que é tua
O sangue que não é teu
No canto, no asfalto, no cereal
Teias às tapas
Enceta peles macias
Macula honra, insulta
Estupra a vida cristalina
fica o sabor do pó
Nos corpos andantes
Desfloradas rosas
Aranhas inválidas
Uma indignação em elos perdidos
Bonecas que não crescem
Infantes, um exército de vítimas
Ao longo das íntimas existências
A insanidade cruel exalta
Presas apanhadas em ardencias
Cegos caminhos nas vielas
Nos trilhos pardos
A presença da Verdade velada
Em corações arranhados
E uma postergada
Justiça


Cintia Thomé











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Imgem: A. Hernandez - Fotógrada/designer - site Olhares - Portugal

DISTÂNCIA (OU MORTE)

Posted: quinta-feira, 5 de novembro de 2009






Como essa distancia enfraquece a retina
Como essa distancia fortalece
Vontade de nos amarmos
Amar cada camada de tua derme
sem você dar conta
Que o tempo envelhece
A tua alma engrandece
E a minha também
Pois somos além
Da linha invisível
Tão frágil

Como essa distancia padece
No imaginário tão volátil
com qualquer chegada
Do frio ou do fogo
No peito estremece
Escondido
um sorriso





cintia thome









.

AQUI E NÃO ALI

Posted: segunda-feira, 19 de outubro de 2009


AQUI E NÃO ALI


Quero tocar a parede
Das noites desgastadas
Com meus ombros
a qualquer esquina
Da vida que esfola, esfola
a espera de você
Quero usar batom,om...om..
Com meus carnudos lábios
Lamber a vontade dos teus
bebo todos o líquidos
sais e minerais on the ...rocks
liquidificadores , liquidi-fica-dores
de ti e de mim
Minhas mãos rasgando
Tua respiração, teus poros
De sede, na rede, ah...sede
Ver-me assim tão madona,
Dona, dona...
Dona de ti com as pontas dos saltos
Nos corredores e labirintos e becos
E ouvir de tua garganta
que ficas comigo
Assim apaixonado
Sem falar, sim a uivar
A dor desse amor..om...om...om
Ei você, amor
Não contenha, não recue
Pare aqui e nunca mais ali
Aqui e não ali
as sedas de meus dedos
de rede...as rendas..a rede...
em tuas mãos se rendem...
Para que eu ria, ria
do quanto tempo, quanto
Tanto, tanto, tanto
Rir, rir até de manhã...nhanhã..nhanhã
Nas manhãs tardias
Roucas
de sede...sede...
De ti e de mim
Coração...

Cintia Thomé




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ALMA

Posted: domingo, 20 de setembro de 2009

Feelings, feelings Feelings
Again in my arms
Feelings




ALMA

Se eu pudesse
Arrancaria meus braços
Asas de passarinho
Cabeça
De Venus
Seios das madonas
Os olhos assustados
das cidades underground
Olhos de Daphne
Nas florestas
dos meus pensamentos
Meus absurdos

Moraria
na Lua
Casa com os ferros
Retorcidos das pombas de Plabo
cores de Mondrian
Na fachada uma casa ao ‘quadrado² ‘
Cubista, minimalista
Dada

Moraria Eu como Alma
Limpa sem carne
Sem lanças no peito
Sem tiros no pé
Um cabide a La Yves Saint Laurent
Desencarnada
desse descolorido mundo

Só Psique
Que ama só ama
Só é amor
Mas esperaria como a Louca
Com braços e mãos tremuras
Só com um coração na porta
Com laços rendados
Por ti
Que pertence tão distante
Tão longe
No universo Naïf
Se eu pudesse

cintia thome







Imagem - Vestido ano 65 de Yves Saint Laurent - Mondrian

Acróstico do Boi Premonitório

Posted: terça-feira, 15 de setembro de 2009

Testemunhas oculares
Relataram com certa
Urgência que numa certa
Cidade do centro do País
Uma grande onda se
Levanta para que um certo
Elemento nefasto, sem
Nenhum caráter e moral
Comece a planejar sua
Incubação eterna no poder,
Assim como de seu Partido.


©joe_brazuca MMIX sp/sp/br

ANIBAL BEÇA , O AMAZONENSE SEMPRE LAMENTO

Posted: quarta-feira, 26 de agosto de 2009

ANIBAL BEÇA, LAMENTOS


As arvores amazonenses
curvam-se
As que sobram
As águas se encontram em festival
O branco e o negro
Peixes pululam e beijam-se
Chove aqui
O muro de Sampa chora
Concreto e ferida
Sem o poder... com toda a razão
Sem que eu possa tocar,
dar adeus amigo Poeta
De um lado da parede,
o reflexo de toda poesia
Gotas de suas letras
Aquelas que cantavam
nas bocas de suas mãos
Como conchas aos nossos ouvidos
'Leva o refrão e seu corte'
Atrás dos muros, das distancias
Deliro como poeta, como amigo
No outro lado do muro, que sinto tanto
não vejo, não tenho força
Não soletro, não transpasso
Mas chora, chora
Escorre, derrama chuva
Lágrimas da partida
da minha dor no peito
Aquela que lembrará
sempre em esferográficas
estradas

Por seus lamentos



cintia thomé






Oblação
Anibal Beça


Alma que não enferruja
é aquela que se lava
nas corredeiras do longe
e vira espuma na água.

Por que o perto põe à mostra
todo e qualquer azinhavre
nódoa na dobra das horas
e não tem água que o lave.

Água dita: buena dicha
bendita de mala sorte
que a alma que embala a vida
leva o refrão e seu corte.

A receita está no tempo
que limpa todas as marcas
e cobre num véu de névoa
a culpa de toda carga.

Encoberta pela brisa
a alma nova descansa
rio que vai para o mar
lambendo o sal dessa dança.

ANIBAL BEÇA
13.9.1946 - 25.8.2009








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AZUIS E FOGO

Posted: quarta-feira, 19 de agosto de 2009



AZUIS E FOGO


A plenitude do amor e da felicidade
estão em nossa casa
Na escuridão do quarto
Com um Pássaro de fogo
e passarinho
E
Na sacada, no quintal
quando passarinhamos
com
pássaros blues



Cíntia Thomé


.Imagem NãoSouEuéaOutra www.olhares.com

As sete bodas de Mariinha

Posted: sábado, 1 de agosto de 2009
Mariinha pulava ondas
Quantas ondas Mariinha pulava ?
Pula uma pelos pais
outra pelos filhos
mais outra pelo marido
pulava u’a mais pelo amado
outra onda pelo namorado
e outra mais, por Deus
e a última pelo diabo

Ela pulava sete ondas
sete pulos ela dava
Mariinha comia canjica
com pó de erva brava
e, com frango com quiabo
sete ondas, lambuzava...

Mariinha tecia véus
quantos véus Mariinha tecia ?
tecia um pelo patrão
outro pelos tios
mais outro pelos avós
tecia um mais pelos pavios
outro véu pelo ladrão
e outro mais, pelos navios
e o último pelo seu algoz

Ela tecia sete véus
sete véus ela tecia
Mariinha dormia mais linda
sem dó, sua unha cravava
e, sem teto e na berlinda
sete véus, ela tirava...

Mariinha tecia ondas
sete véus ela pulava
Mariinha casava véus

sete ondas ela casava...

Vermelho

Posted: sexta-feira, 31 de julho de 2009


Pulsam tédios
Nas veias adormecidas
Sangue e vida esperam
Partidas na chegada
Da primavera
Adentrando artérias


para Cíntia

OFERENDAS

Posted: sexta-feira, 10 de julho de 2009




OFERENDAS

Por Cíntia Thomé

Sou canoa na sua cama
Rendas, cheiros, incensos...
Ofereço boa vinda, agradeço.
Dançando no seu mar, seu corpo;
Percorro todas as extremidades de suas águas
A deriva... Vou aos sonhos
Igarapés ou vitórias-régias
Suas ondas caudalosas
Derrubam espumas
Em minha tímida escuna
Delírios molhados escorrem.
Meu leme, minha mão é uma flor:
Esparramando pétalas e polens
Perfumes da vida, arrepios aos toques.
Sou barco a navegar, sensível ao seu balanço
Ancoro em seus braços
Espasmos nas ondas
Com fé, creio em ti...
Como rumo certeiro d'alma
Trarás das suas profundezas
Pérolas secretas,
Estrelas do mar
Simples palavras
Em sua boca...
Concha aberta
Juras de Amor,
Amor!
Do Amor
O Maior...
Da Criação .
.
Cíntia Thomé




.

Ciclo

Posted:
Vem seguindo trilhas negras
De betume e roxas de terra
Vermelhas de piçarra e sangue
Vida a dentro, casa a fora
Pernas e braços no mundo
Que percorre e abraça

Deixa amores
Traz texturas, temores
Seca humores e agruras
Deixa vidas, cria outras
Vara o país com rumo
Incerto e desejado norte
Guardando o Norte em seu cofre
Peito sem saída
Acumula o mundo

Ensina de onde vem
Aprende pra onde vem
Ciclo

O horizonte no fim do asfalto
Outra linha atrás
Meta à frente dos olhos
Na vontade do retorno
Meta é ponto de partida
Vai-se para voltar melhor
Ciclo

©Marcos Pontes

Zona de Escape

Posted: segunda-feira, 6 de julho de 2009


Caso não haja mais tempo
congele todo sal grosso
que porventura foi exposto
e partilhe os provimentos

Caso não surja oportunidade
desligue todos os interruptores
avise os fornecedores
se livre das ambigüidades

Caso não se torne mais necessário
exorcize cada um dos pecados
apague todos os recados
desligue o ar dos templários

Caso não retorne tão breve
tire os dedos do gatilho
segure a arma, à mão leve
deixe que se vá o andarilho

Caso não suporte mais o baque
passe a tranca na dispensa
aperte o laço do lacre
e vá atrás da recompensa

Caso não tope a parada
crie a possibilidade de sangue
feche o cadeado da escada
esvazie o lastro estanque

Caso não possa mais nada
desative o código do alarme
corra junto à manada
respire fundo e desarme...

Caso nada disso adiante
peneire a sujeira do trigo
persiga todo seu desplante
e mais uma vez, engula o perigo

Caso não haja mais...

©joebrazuca - MMIX -sp/sp/br

Espiral

Posted: sábado, 4 de julho de 2009
Espiral

Não existe caminho fora daqui
Mesmo que seja um espiral
Voltado para o umbigo

Volta-se em torno de si
Curvilinha bumerangue que só volta
Arremessada contra a própria
E em si se cruza
Bifurcação da mesma linha

Não há caminho dentro daqui
O externo é o interior e é o mesmo
Caixa cheia da própria caixa
Vazia da caixa mesma

A vida e a caixa
A vida pulsa na caixa
Os caminhos da vida
São a própria caixa
A duração da caixa é a vida
Simbiose abstrata

Não há caixa fora daqui
Encerrada na vida e na caixa
As soluções e os caminhos
Bifurcações que retornam à vida
Dentro da caixa
Cíclica e espiralada linha

A linha bumerangue
Rechicoteia nas paredes da vida
Cai no piso da caixa
Sobre as soluções catadas
Cacos juntinhos, mosaico
De vida, caminhos, vida e caixa

©Marcos Pontes

TANGO OU VALSA, UM VINHO

Posted: quarta-feira, 1 de julho de 2009


TANGO OU VALSA, UM VINHO
De Cintia Thome


Num canto seu casaco
Noutro taças
Espalhadas pérolas
Um colar arrebenta
Ouvem-se tilintares
Em descompasso
Junto aos corpos colados
Em dança
Uma salsa,
Ou um tango em Paris
Mas aqui
Acolhe-me em asas
Laça-me, enlaça-me
Cheira-me como fêmea
Morde-me faminto
E sinto
Frenético bailado
Dentro de mim
Desabrocha-me
Em vinhos
Molhados
Colhe-me em sedas
Acolhe-me cansado
Arfando, afanando
Beijos sem pudor
o meu sorriso e meu calor
Aqui ou em Paris
O que sempre quis
Corações embevecidos em valsa
Pele, sua pele
Pele, minha pele
O amor maior
adormecendo entre nós
roçando-nos
úmido
em silêncio


cintia thome



Imagem NãoSouEuéaOutra - site Olhares

Domingo

Posted: terça-feira, 30 de junho de 2009


É manhã
A chuva é fina
É domingo
O som é de sino
É preguiça entre pingos
A saudade é uma esquina
É minha fé à míngua

A festa é junina
É cedo na praça
A cantoria é começo
É o abraço sem artimanha
A voz é lembrança

É minha a sina se abrindo
Nossa é a simplicidade
É o descanso da rotina
O ritmo é a cidade

E aquece a tarde




Imagem:
A rest, por E.m.m.a..



₢ Beatriz M. Moura
Compulsão Diaria
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Over Heat

Posted: domingo, 28 de junho de 2009
(pra MJ 58/09)


a juventude pode tudo
andrógeno, skin head, cabeludo
sonhos mixados
potenciômetros desalinhados
auto-falantes saturados
groove
punk
heavy
menina bolinando menina em qualquer esquina
menino bolinando menino em qualquer destino
over dose, over pose, over close, over heat
punch
lunch
brunch
guitar over flow


cross over
-------------------------------------------
hoje esperei pacientemente
alguns velhinhos subirem as escadas
à minha frente

Amanhã, subirei eu...
(será que vão me esperar ?...)



©joe_brazuca-MMIX-sp/sp/br

Malazartes

Posted: sexta-feira, 26 de junho de 2009
Flutua nos olhos,
Brilha na pele
Tua alegria que fere
Brios e zangas.

Tua infância levada
Deslizou com a serpente
Do teu tempo esticado
Teu amor pelos cavalos
Teu mar solitário
Teus sentidos amortecidos
Teus venenos purpurina
Tua coragem bêbada
De medo solto na fumaça.

De éter foi teu flerte
Tua sina de rebelde
Tua vida contra morte
Teus anjos da guarda exaustos
Teu sorriso presente.

É terna minha confiança, malazartes,
Ao ver-te rasgar tuas crises
E furar tuas dores,
Aprendo contigo
A quase morrer e voltar
Eterna criança sempre viva.

© Compulsão Diária
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BENNYANA FLOR SELVAGEM

Posted: terça-feira, 23 de junho de 2009

BENNYANA FLOR SELVAGEM

Ao mestre Poeta beat Benny Franklin

Ah! Homem de carne
Na sua ínfima pele
Escute, ouça o grito, o alerta
Daqueles que vieram, como eu,
A sorrir do desdém da vida,
Das escadarias de areia em quedas
Que guindaste usou na usurpação
Com a palavra do Olho,
Olhar tão próximo, mas, ao longe, já havia visto
O temor dos incompetentes, dos frangalhos,
Afagando carências
Dos andantes que pedem clemências.
Fogem, mas retornam, fogem e fogem
Chorosos mentirosos pecadores
Fracos nas couraças furadas e fétidas
Ah! Homem de carne...

Vens com logomarcas, selos,
marcas de nada, do acaso, amanhã fora de linha.
Pilotas esses carros de lata em rodas negras
Porque a coragem está nas rodas de fogo
Nas suas carruagens, carroças,
Querendo se aproximar de mim
Mas... pestaneja... Repele-me... Por quê?
Tens receio da vergonha
Da constatação que és triste espírito
De luta e labuta, e não partilhas pão e nada
E teus pés fincados com as unhas
do Diabo que te toma, roubando-te
Uma putrefacta possuidora,
Numa quase pena máxima sem valor
Ah! Homem de carne...

Pede socorro sorrateiramente
mas se assusta, desconfia, coalha
Sente saudade, mas na presença, falha!
Mas eu confio, creio.
Ah! Homem de carne...

Estrutura teu cérebro, tua cabeça
Com a minha mão meiga e grossa da verdade.
Ajoelha, e que doam teus ossos, mas pede perdão
Fica perto dos reencontros escritos, do eterno
Do Universo enigmático, mas certo.
Ah! Homem de carne...

Poetando eu te coloco em meu colo
Sei que te incomodas com o calor de mim
Com as lágrimas invisíveis de sangue e mel
Com meu beijo sincero, quase uma inocência
Tu te aproximas de mim...mas corres de mim
Julga-se são, mas neurótico insano
Porque não crês na boa palavra
Nem na mulher absoluta, a Flor
De pétalas que perfumam pulmões,
Que agasalha as montanhas
Onde os ímpios habitam, labaredas ferozes
Salvaguardando seu semelhante, seu Amor
Cuspindo sementes,
Que amarra, abraça, sustenta
Árvores decaídas, semimortas
Pois mulher desejo é de cedro
Não tomba, olha sempre Céus
A roda, a família...
Ah! Homem de carne...

Fraquejou com seus ossos plásticos
Porque quer o verde pardo da cédula,
E eu, só amo a sentença:
In God We Trust
Ah! Homem de carne...

E nas suas semelhanças
Quer ser moderno com objetos
Que amanhã serão escarros, lixo nos ralos e rios,
Gavetas estufadas gotejando suores alheios.
Resguarda tua pureza, eu peço, imploro!
Vim como leite de caule,
A seiva azul ao prisioneiro, ao refém
Mas tu mamas carne podre, vadia, prostituta...
Coitada, louca que será um dia judiada, apedrejada
Se assim já não é...
Ah! Homem de carne...

Engasgas quando me vês, talvez sintas inveja
Talvez pela grandeza selvagem que amedronta
Mete medo, admiração...
Mas incapaz não sorves, bebes ou mastigas
A Orquídea lubrificada de Amor
Ou o fruto de maracujá que sou
Porque adoras quem te bate, maltrata
Masoquismo tresloucado invisível
Maquiavel de teus 'ontens'
A vil, a pútrida
Maçã
Ah! Homem de carne...

Cuida de ti.



Cíntia Thomé


novembro 2008

.

Jacintas

Posted: domingo, 21 de junho de 2009
Vi uma jacinta
Levar o dia nas costas
E sumir no horizonte

366 jacintas
Sumiram no horizonte
Levaram o ano bissexto

As jacintas levaram o ano
E deixaram seu rastro
De sóis apagados
E muitos presentes

Um terreno pra José
A saúde de Maria
O emprego de Leonor
O filhinho de Dozé
A carroça de Jacinto
A prenhez para Jacinta...

Faltavam 120 jacintas
Quando meu presente
Caiu das asas do dia:
Aquele dia não perdi
Não perdi mais nenhum
Vi todas as jacintas
Ao lado da mulher amada
Que caiu de uma jacinta

Band-Aid-kura-kaos

Posted: sexta-feira, 19 de junho de 2009

Onde estou, só asfalto,
sem mato
abro a janela
e me mato
polui_som barulho
debulho, tudo bagulho
carro+carro+carro+carro+carro+carro+carro+carro
stressssssssssssssssssssssssss
gente_e_gente_e_gente_e_gente_e_gente_e_gente_e_
num ha quem agüente tanta
gente_e_gente_e_gente_e_gente_e_gente_e_gente_e_
todo mundo triste e ausente
gente que num desiste, insiste
só o corpo presente
indiferente
distante
colados do lado do outro lado
calado que nem gado
sempre atrasado
só traslado
de corpo abalroado...

Tô querendo mato, água de fonte, grilo falante
bosta de bicho, folha, árvore pra sol escaldante
barro no pé descalço, balança de corda
som de riacho, canto de galo que acorda
fumo de rolo, café, fubá dentro do bolo
sentado na soleira da porta, ler folhetim
colher inhame, alface, pimenta, tudo da horta
cheirar rosa, camélia, cravo, arlequim
água de cheiro, banho de rio maneiro
gosto do angu com taioba, tempero mineiro
e depois de almoço, café da tarde
traguinho de cachaça, garganta que arde
tirar uma sesta na rede de trança
daquelas que até ventarola balança
ouvindo uma moda daquela, antiga
de viola soando brilhante,de sete cordas
em volta de gente amiga
alegre , sonolenta e vadiante
onde pouco importa todo o tempo
que já vai indo...indo...embora com o vento...
E na noitinha mansa chegando
deitar no remanso de toda essa lida
com meu amor, cheiro de flor,se encostando
fazer devagar,sem nenhuma pressa
aquilo que é precioso, e bom à beça
o que tem de melhor nessa vida...

©joe_brazuca-MMIX-sp/sp/br

CORDA SOL BACH

Posted: quarta-feira, 17 de junho de 2009



CORDA SOL BACH

Nada mais recorda
A corda em sol
Cânticos, o solfejar
Estático pardal
No fio do varal
Lençol a flutuar
Na fresca manhã
Ao vento cambaleante
Chorando... Chorando...
Porque a chuva vem
Cânticos orvalhados
Respingos na vidraça
E a traça caminha em compasso
Em sol de Bach
Pelas rotas páginas,
Carta em palavras dantes quentes
Alinhadas escritas, outrora
Traçadas de uma vida ardente
Dos desejos em lampejos,
Agora, mudos, silenciosos, mortos
Gotas de chuva
O pardal no meio fio
O lençol pesado em cinzas
Recordar já não posso.
A traça vive da carta lacrada
Do vazio de amor, do nada
Nada mais recorda
Ária na corda sol
E eu, ossos.




cintia thome

.

Destroços

Posted: terça-feira, 16 de junho de 2009


©joe_brazuca- MMIX - sp/sp/br

Meus mortos

Posted: sábado, 13 de junho de 2009
Meus mortos estão fartos
Das preces fáceis e vãs
Voam em fluxos, acaso
Sorriem brisa às manhãs
Perdoam -me ao meio dia
E frios pedem fios de lã

Poema Molhado

Posted: quarta-feira, 10 de junho de 2009

O raio divide o azul

Que se acinzenta num repente

Plúmbeo firmamento úmido

Que se desfaz

 

Os tambores de Poseidon

Ecoam em prédios e nuvens

Labirinto luminoso que desce

Driblando as gotas

 

Éolo esvazia os pulmões

Levantando saias e telhas

Arremessa o pássaro em novo rumo

Nada mais voa

 

Despenca e corre em rios

A sujeira do ar

Pinga líquida e lava o solo

Encharcado e feliz

©Marcos Pontes

Ressaca

Posted: segunda-feira, 8 de junho de 2009
Meu olho corre*
Fato e foto
Nos grafos dessa luz
Que encantam meu afeto
Último ístmo
De onde parto e naufrago
No estribilho
- realismo é arte ultrapassada -
Sussurado por desconstrutivismos
Agarrados no costão
Lavado pela maré que vaza

À margem dessa trilha,
Vejo-me cindida,
Sargaço sem mar
Bóio em jogos,
Correntes gramaticais,
Coberta por nuvem
Carregada de signos,
Significantes cinzas,
Sinais sem sujeito

Amanheço em solidão afásica,
Desnaturada, afundo
Versos e poemas na ponta dos remos
E a língua em aclive, gagueja
Se poesia é a liberdade
Da minha linguagem
Por que escrevo com medo de errar?

Erguem-se abrigos, casebres pós-modernos
Onde vivo solta à beira de abismos
Presa, por um fio, nas algas narrativas
Entrevistas como dejetos
E experimento prazer na falta de ar

Diante da perda de referenciais,
Afogo, no vórtice das calamidades,
Rima, ritmo, métrica, tema
E os leitores desamparados
Que me acusam.
Um diz ser o excluído
Do umbigo com que escrevo
Outra reclama ver prosa
Nas imagens - meu desejo de poema

Sem piedade, cometo heresias.
Quebro-me para ser capaz de andar
Sobre júbilo múltiplo
Pós - tudo, aguerrida
Tropeço em Barthes e Derrida,
Chuto Foucault
E adeus, Delleuze

Minha nostalgia - Âncora e brecha,
Resgata-me. Nado pelo meio,
Atavesso a ressaca
De olho na palavra encarnada,
Falo em silêncio,
Agarro-me à letra,
Alcanço o porto sem cais
Minha única saída



Imagem: Foto de Marco Antonio Cavalcanti - publicada em O Globo Online

*Fui ler Água e Sal e voltei ardida pelo soneto e pela imagem,
culpa do Henrique que escreve tão bem.


₢ Beatriz M. Moura
Compulsão Diaria
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SALVADOR DA FULÔ

Posted: domingo, 7 de junho de 2009



(Já que Joe Brazuca fez uma música entao resolvi postar para aproveitar o clima
destas últimas postagens no Poesia Aberta)

Dedicado a todos os nordestinos e a Marcos Pontes e Bea Moura Pontes, pois Bea esperava Marcos em Sampa para o lançamento do Livro D'Acolá de Marcos



SALVADOR DA FULÔ


Minha mainha rezadera
Reza pra ele vi mi buscá
Di modo qui num quero
Sentinela chegá e me pegá
Antes que alevante a morte
Quero flor di amor
Seja na chuva o nu calô

Sou mulé di cantadô
Di radinhu de pia e viola
Sou a primeira fulô
di retirante de sum paulo
Da cidade grande escangalhada
Dexô chero de pimenta
Pra me matá toda di vontade

Trais meu homi outra veis
Pois num si esqueci dessi homi
O dono do boi que mi encantô
Faço trancinha bem bunita
Um só vestido de chita, sem enxová
Só um beijinho doce e muita fita


Quero brincá di roda
Meu par na foguera pulá
Com banda e vetrola
Banderola e balão lá nu alto
Junto as estreila
E um padinho pra casá
Um punhadin di guiné e alecrim
Uma cruiz e o Nosso Senhô

Pois tenho no fundo desse coração
Uma riqueza imensa
Di cuentru e manjericão
Um resguardo danado de sabô
Dessi safado do sertão
Que num feiz me arreliá
Meu Menino em questão
Ô meu amô!

Minha mainha
Tem dó di mim, di mim
Puis veila pros Padinho
Nas incruzilhada do distino
Ciço e pro doutô ACMs pra aliviá
Pra modi qui eles adiantá a licensia
Minha querência do forastero salvadô
Fazê minhas aligria, me conquistá
Meu querê, meu amô

Trais mulé de Deus
To doida di sodade
Sodade...Sodade!

Cíntia Thomé
Publicado em outubro 2008



1983 refeito em 2007/08

ACM = ACMS - Antonio Carlos Magalhães, com todo o respeito, homem público, foi Governador da Bahia.


Imagem: Marilia Carboni



(sorry a referencia...Salvador da Fulô)

.

Tema de Caine

Posted: sábado, 6 de junho de 2009
Na velocidade dos gestos
A ausêcia revela
A existência do possível

Do fundo de que universo
Ele me distingue
Livre das manchas mortais

Lavado e esplêndido
Dos dias e das noites
Vividos antes do naufrágio





From the tiger, he learns tenacity and power. From the white crane, gracefulness. And the dragon teaches him to ride the wind



Baião de 3 por 2 ( pra Denoraldo e Inaura...)

Posted: quinta-feira, 4 de junho de 2009

video

Trilha Sonora Original. (homenageou a poesia de Compulsão Diária e Marcos Pontes "Dueto", que pode ser lida abaixo:

"Dueto"


Denoraldo:
Venha cá, essa menina,
Não se faça de difícil.
Conheço tua vida e sina
Tu já se tornou meu vício,
Sei que dançou em Cajazeira,
Já cantou em São Patrício,
Arribou para Barreiras
E hoje está pro meu bulício.


Inaura:
É não, homem!
Você não vive sem ela,
Eu não vivo sem você.
Minha paixão valente
Agora é amor, meu bem.
Verdade verde conforme
Aquela tarde dentro imensa
Estrada aberta marginal

Denoraldo:
Ela é coisa que já foi
Num existe mais nós dois
Ela é vaca sem seu boi
Sou o outro do depois
É a ti que agora quero,
Meu guaiamum com arroz,
Pra ti sou home séro
Vem pra mim, ora, pois!


Inaura:
Verdadeiro amor que amo,
Querer bem sempre não é assim?
Gostar direito com seu coração no colo
Ninar seu sentimento, minha sorte
Ser chuva serena que acorda o rio,
Leva embora seu malfeito, traz a flor
E o vento fresco. Diz, então:
Vai, aventura afetuosa ser sua ela dele agora.


Denoraldo:
Santo Antônio me ouviu!
Monta de pronto na garupa
Voar pra serra como o pio
De anu preto. Upa! Upa!
Nossa estrela já surgiu
Brilhosa como niuma.
Nesse brilho me avio
Nova vida se apruma


(Compulsão Diária e Marcos Pontes)


©joe_brazuca -MMIX -sp/sp/br

A Foice

Posted: terça-feira, 2 de junho de 2009

Na sombra paralela

Ela caminha soturna

Lépida, silenciosa

E corta pronto

 

Aguardada

Desejada e alívio;

Surpresa,

Dor é lágrimas.

Não seleciona,

Como enxurrada

Arrasta a todos

Cedo ou mais cedo

 

Tudo se resume ao segundo

Ao instante final

Onde cessa a dor e o riso

O suor e a saliva

O sonho e a vida

Tudo para, mesmo os olhos

Só os pelos persistem

O que foi nada deixa

 

O cubículo e as cinzas

O suspiro e a quietude

O choro e as rezas

O tempo e o sempre

A presença e o nada

O depois incerto

O talvez do talvez

Segunda-feira

Posted: segunda-feira, 1 de junho de 2009

Essa poesia toda explode
numa segunda-feira
sem beira, se esgueira
dizendo "não pode"...

Essa segunda-feira
numa poesia eclode
sem eira,nem queira
manhã, ressaca, cegueira
me deixa de bode
me fode...


©joebrazuca-MMIX-sp/sp/br

Sexta-feira

Posted: sábado, 30 de maio de 2009












Dia de Vênus em tua cozinha

Onde lavas manchas mortais

E assumes teu território

- Ágil Speranza -

De ternuras enfurnadas

No calor da massa que fazes para mim


Atrás de nós, o pôr-de-sol

Nas taças de cristal

- clepsidras tintas -,

Sirvo alma em vinho escuro,

Deito óleos, perfumo a casa,

Acendo madrepérolas


Enquanto apuras molho pardo,

Sou tua luz de lótus fálica

Tu, sabor maduro, és alimento

Vermelho-carmim tenaz comida

Homem ilha, acolhes meus naufrágios





*Speranza, ilha de Robinson Crusoé



Imagem: Pink Peony, por GFletch


Milton Nascimento - Cais




₢ Beatriz M. Moura

Compulsão Diaria


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Letras

Posted: quinta-feira, 28 de maio de 2009

Por navalha de grafite

A página lanhada

Se enfeita de signos

Nasce na brancura

Emaranhado de traços sonoros

Flui o tráfego de linhas

Em esquinas sequenciais

letras paridas do negro

Ruas e esquinas da língua

Entrelaçadas em sons

No silêncio do papel

O lápis grita

Ecoa em si mesmo

Vomita

Prosa, poesia ou bula

Gráficos lineares

Curvas e segmentos retos

Formam o nome de tudo

E do vazio

Escrevem

©Marcos Pontes

JE PENSE A TOI

Posted: quarta-feira, 27 de maio de 2009

Je Pense A Toi


Levito na noite
Traz uma chance
asteróides belos
na porta do brincar
do sonho
De descansar brilhando
Pela luz de teus olhos
Queimando
minha pele e corpo
Para que a transparência
seja dada
Somente a você
do amor
Que guardo
Penso
Assim
Em você
Brilho
De mim
Em mim
Nas manhãs cinzentas
um sol
Maior
sombra
Será tão sol
só o que penso?


Cíntia Thomé


8/08/2008







.

N'importe ou dans le monde
Chaque seconde je pense ä toi
N'importe ou dans le monde
Je suis ton ombre ou que tu sois

Non je ne peux pas rester
Mon rêve a un prix ä payer
Oh non je ne peux m'en tenir
A te regarder souffrir







.

Seca

Posted:

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Plano sem fundo

Seco
Branco ou preto
Sempre aterro deste poema

Eu

Pleno de vazios  em frente
Muro impassível do mesmo
Balbucio pessoal,
Gaguejo e tropeço
Na própria língua
- Planície arrasada -
Pelo visgo de sílabas mortas
Sobre papilas ávidas por palavras
Grávidas de palavras

Desisto, diz meu isso.

Imagem: lettera ad un'amica, por Ruby

;

-

;-

 

₢ Beatriz M. Moura
Compulsão Diaria
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Silogismos Sofismáveis (ou o Paradigma da trilogia escatológica)

Posted: segunda-feira, 25 de maio de 2009
[para o amigo matemático Marcos Pontes]

Possibilidade 1ª -

Premissa maior: Os ratos andam pelo esgoto
Premissa menor: O Congresso tem esgoto
Conclusão: logo, os ratos andam pelo Congresso

Possibilidade 2ª -

Premissa maior: No Congresso tem ratos
Premissa menor: No esgoto tem ratos
Conclusão: logo, o Congresso é o esgoto

Possibilidade 3ª -

Premissa maior: Existem ratos no esgoto
Premissa menor: Existe esgoto no Congresso
Conclusão: logo, existe um Congresso de ratos do esgoto


©joebrazuca-MMIX-sp/br

Ele

Posted: domingo, 24 de maio de 2009
Ele veio sem pressa.
Caminhando entre estrelas
parando aqui e acolá
para orvalhar
uma ou outra roseira.

Quando chegou
tinha os cabelos
molhados de luar.
E no bolso esquerdo
um raio de sol
que colocou nas minhas mãos
com tanta ternura
como quem deposita um beijo.

Por isso
acordei
com este brilho no olhar.
(Alcinéa Cavalcante)

Na Minha Cidade

Posted:

 

Na minha cidade as calçadas são montanhas

Escaláveis a cada passo

As pessoas conversam alto

Nos passeios matinais

 

Na minha cidade as ruas viram rios

Nas enxurradas de verão

E descem em cascatas as barrancas

Das margens das avenidas

 

Na minha cidade as árvores sobrevivem

A pão e água arrancados à força

Pelas raízes do solo estéril

 

Os violões andam mudos

E as gargantas afiadas

As conversas são truncadas

E as fofocas irradiadas

 

Na minha cidade os homens expõem o sexo

Nas jogadas de quadris como jangadas em vagas

E as mulheres carregam o sexo

Exposto e à vista nas testas nuas

 

Os botequins são mais e ganham menos

Que as igrejas proliferadas nos becos

Que rescendem a mijo e festas

Enquanto ainda ribombam os ecos dos tambores

 

Na minha cidade as lembranças são novas

E o futuro é como o de bebês que não o sabem

Nada se planeja para além do almoço

E nada mais se lembra depois da cachaça da noite

 

As pedras, pós e ervas proliferam nas vielas

De garotos amarelados e meninas prenhes

Onde não entra a justiça fardada ou a divina

E o que se usa agora são pedaços de planos

 

Na minha cidade senhoras caminham apressadas

Em moletons e tênis rasteiros, pulmões escondem

A artificialidade líquida dos cosméticos noturnos

Pressa ensaiada para antes do Sol nascer, vampiras

 

Funcionários públicos não funcionam

Pastores não pastoreiam ovelhas desgarradas

Médicos acusam Hipócrates de simplista pobre

E os pais dão os filhos para a escola criar

 

Na minha cidade estão os amigos espalhados

Do subúrbio pobre é escuro aos jardins podados

Dos bancos da praça às carteiras dos bancos

Inocentes ignoram meus insultos

 

©Marcos Pontes

Gata Arranhada

Posted: quinta-feira, 21 de maio de 2009

Flerta com a dor

E mia

Arranha e ama a cria

Vive resoluta

pelos cantos

Sem saber que a cura dói

 

Procura o calor da defesa

E deita-se ao lado

Sonha

Plácida e suave pelagem

Encobre o corpo que sofre

 

Ronrona na ponta das patas

Afaga

No calor e luz do dia brinca

Solta o bicho saudável teimoso

Alegra

E revive sete vezes

Menestréis de asfalto

Posted: terça-feira, 19 de maio de 2009


Na minha cidade vejo gente
gente de variados mundos
andarilhos, incógnitas, indigentes
sem eira nem beira
que se esgueira,
sem fundos

Na minha cidade pungente
vejo tristeza e testa enrugada
dando duro em apressado batente
maltrapilha, com a pele embrulhada
rancor de quem é desprezada
e a cada dia que passa,
em agonia
vê a vida em vão, esbugalhada

Na minha cidade imponente
vejo meu povo meio-matuto
cabisbaixo, vestido de luto
sob comando do astuto
que dita a dura impertinente
com fina lâmina de corte arguto

Na minha cidade vejo gente
que nada leva em mente
mesmo que se lamente
de um futuro indecente
onde se vê aniquilado
perdido, ferido e vilipendiado

Na minha cidade inclemente
vejo a tentativa insistente
de um povo dócil,
sempre carente
que petrifica igual um fóssil
oh! pobre dessa gente tão crente...

Na minha cidade vejo gente de todo matiz
são atores, mambembes cordéis,
pensadores, prostitutas, bacharéis
trovadores, alquimistas, menestréis
que vivem estendendo seus carretéis
a se equilibrarem, no meio-fio,por um triz...


©joe_brazuca-MMIX-sp/br

Vingança

Posted: segunda-feira, 18 de maio de 2009

 

A poesia dá na cara do falsário

O falsário só engana a si

E aos ineptos em poesia e letras

A gramática surra-lhe os fundilhos

De onde saem letras desarrumadas

Que o mau versador – malversador -

Estelionatário lexicográfico

Apresenta como arte

Excrementos literais

A poesia quadradinha também é poesia

Em seu quadratismo poe´tico

Quando o quadradinho escritor

Trata do ofício e arte

Com os saberes de dominador.

Poesias libertas, libertárias

Asas soltas enovelando ventos

Podem ser apenas amontoados rijos

De palavras emboladas

Mal casadas

Na carona de asas enrijecidas

Por talas de madeira dura

O falsário maquia com rouge e blush

A avant-gard de ontem como se novíssima fosse

Mal imitando Torquato Tom Zé Mautner Caetano Pignatari Augusto Haroldo Azeredo Dias Pino Goulart Gonringer Max Bill Max Martins Chopin Garnier Finlay Havel Jandl Katue Hansjorgen Mon Morgan Solt Spatola Emmett Mallarmé Apollinaire Oswald Cabral Pound Joyce Kilkerri Aranha Gullar Oiticica Amílcar Clark Papi Xisto Faustino Affonso Erthos Leminski Duprat Willy Wally Pierre Garnier Ian Hamilton  Vaclav Havel Ernest Jandl Kitasono Katue Hansjorgen Mayer Franz Mon   Mary Ellen 

A revolução já se faz velha

Crendo o bronco que é novo

O que refaz mal feito

Em fantasias e delírios de cego

Átrio

Posted:

 

 

Entre a palavra e a coisa
Resta de mim um naco
- Trago do desconhecido - 
Parado em  boca de serra

Lacuna de eu,
Onde mais sou
Largada ao lado

Sobre o catre dos desejos
E dos ascos
Amor e ódio parecem-me
Lagos de acasos
Afogados em poços
Destes sítios vagos

 

ninhos do impensável

 

Imagem: Atrium Upload feito originalmente por Howard J Duncan

© Compulsão Diária
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SOM

Posted: domingo, 17 de maio de 2009



Não tenho nome
não sou de ninguém
mas ando com você
Sei que sou a lira dos corações
a cuíca dos carnavais
Berimbau, berimbau
harpa dos anjos navegantes
o minuto da morte
o apito das fábricas, a aleluia

Não tenho nome
Não sou ninguém
Mas ando com você
Sou ronco dos automóveis
O trem e a partida estação
Canção de neném mamãe
Gemido falta de leite a fome

Não tenho nome
não sou de ninguém
mas ando com você
a porta fechada que range
Miado da gata no telhado
Berrante e o cajado
Brisa e vento no mar
Orquestra platéia
Aplauso, fim de cada ato

Não tenho nome
não sou de ninguém
mas ando com você
guizo das mentiras, chorinho
Pegadas do menino pela estrada
Farfalhar das folhas, medo
Brasa, fogo e incêndio
Veredicto das vítimas
Baque no asfalto do suicida
Ecoando socorro, sirene

Não tenho nome
não sou de ninguém
mas ando com você
Você não vive sem mim
Pulso alegria e desalento
Precisas de mim
mas eu posso me calar
Sem chorar

Quem sabe eu seja
o silêncio gritando
por você

cintia thome




.
Imagem NÃOSOUEUÉAOUTRA A HERNANDEZ, LISBOA , PORTUGAL

Acéfalo

Posted: sábado, 16 de maio de 2009
 
A cabeça na ponta do dedo
Vinte cabeças
Pés e mãos
Com tantas cabeças
E mais duas
Dá-se ao luxo de não pensar
Animal segue o instinto
De comer, andar
Dormir, fazer nada
Defecar no papel
E dizer que é arte
É apenas obra

COTIDIANO ©

Posted:
(...)

Começo ou esqueço + Não para de chover + As vidas vão deixando de passar + Os paralelepípedos e as onomatopeias adormeceram os passos + Há um desperdício de amor de mim + Queria alguma volta + Nada pra ver na TV + E quem disse que eu queria ver? + Cheiro de chuva é bom + Instintivamente me lava + E minha lava me escorre + Enquanto você de mim corre + Baita trovão agora engolindo tudo lá fora + Gelou a lembrança + Lembrei do meu pai + Alguém que se vai + Em mim é eterno + Preciso trocar meus óculos + Ando cega e não te vejo ao meu lado + Tem 10 pessoas online + Eu sempre sozinha + Você nunca está + Mesmo quando está + Vontade de sorvete + De morango ou Pistache + Vontade que tudo se encaixe + Tenho fome + Morro dessa fome intrínseca e intoxicante + Fome de vida que não dói + Fome de luta que se faz reconhecimento + Será que tem algo na TV que encha meus olhos de anestesias? + Preciso fazer backup + De mim principalmente + Guardar tudo o que eu fui + Eu costumava ser melhor do que eu sou + Melhor do que eu + Outro dia se finda + Ninguém me disse que sou linda + Me disseram sim que sou veneno + Amargo veneno + Doeu + Chorei minhas cicatrizes todas + As coisas são impermanentes + O acaso é aqui a qualquer instante + Faz frio + Lateja a ferida que você me abriu + Afinei o violão diferente hoje + Busco um outro som, um outro ser + Preciso compor denovo + Disfonia em moto-contínuo + Livre associação + Mas onde se escondeu inspiração? + Achei umas letras antigas + Acho que eu é que sou antiga + Queria ter conversado + Queria ter te dado o que em mim sobrou e eu abafo + Minha gata Wicca deitou do meu lado + Tudo em mim parece passado + Continua chovendo + Nada na TV + Alguém me tira esse fardo + Alguém me tira essa máscara + Alguém me tira essa roupa + Alguém me traz um café + Alguém me ama sem medo + Acho que hoje eu durmo mais cedo + Outro trovão + Aviso de explosão + Agora tudo chove + Ficou mais frio + Minha gata saiu + Vou tomar um banho + Buscar minha fonte + Dar-me algum prazer solitário e rompante + Chuva diminuiu + Meu mundo ruiu + De tanto pensar no que vou escrever acabo não pensando em nada + Saio palavras + Ensaio rimas + Melhor seria um verso em soslaio + Que dissesse ao que veio + Que não fosse tão feio + Promessas em vão + Nada mais me dá chão + Embotou o tesão + Ou é tudo ilusão + Calma! + Mais um minuto de atençao + Já chego logo ao fim + De você e de mim + Vou compensar a falta de conteúdo + Calar os meus dedos, deixá-los mudos + É tudo tão igual + É tudo tão...

O cotidiano é uma farpa infincada na sola do pé...
Febril. Inflamado!
Pronto! Conteúdo instantâneo.

Van Luchiari ©
*Texto registrado na Biblioteca Nacional.
Todos os direitos reservados ©


C'est ça !

Posted: quinta-feira, 14 de maio de 2009

...e pelo visto ela está em Paris,
n'est pas, monsieur ?
a moça atravessa a rua da praça
e traça a ignara massa

deixa a moçada devassa

sem tocar na manguaça


ah !...essa moça que na praça
passa e nos laça...
que graça ?


c'esta ça !

©joebrazuca - MMIX - sp/br

Babel Miau - versão 1

Posted:

mulher com gato no colo, upload feito originalmente por luarembepe.


Golden quente, o pôr-de-sol

Reflete mostarda,

Faísca mel, yellow soul


Frio é o desamparo

Árduo blue, neste final de tarde

Cool, busco abrigo,

Algum alívio flower

- Cinza rajada -


Na luz prata, ela me consola

Fada. Fate,

Invite me e mia meu destino

No tom

Silver Cat,

Minha gata
Brilha carinhos abertos
E treme
Faz ronrom
É dom

Ela e eu nuas em pelo

No ritual invisível
Do carinho
Ela e eu
calmas
aconchegantes
Uma no colo
da outra


* acaba aqui, Neusa? 

** não entendi o comentário do Joe. é pra por aqui na edição?

Diz que

Posted:


Era mínimo

mas já existia

Tornou-se pequeno

e ela não via

De pequeno

ficou mediano

mas o pano cobria

Eu vendo

ela não via

o sonho tirando a vida

que ela vivia


Neusa Doretto

Babel Miau

Posted: quarta-feira, 13 de maio de 2009

mulher com gato no colo, upload feito originalmente por luarembepe.


Golden quente, o pôr-de-sol

Reflete mostarda,

Faísca mel, yellow soul


Frio é o desamparo

Árduo blue, neste final de tarde

Cool, busco abrigo,

Algum alívio flower

- Cinza rajada -


Na luz prata, ela me consola

Fada. Fate,

Invite me e mia meu destino

No tom


Silver Cat, minha gata vira-lata

Brilha carinhos abertos

On the road, treme

Faz ron-ron, no meu dedo

Finger zelo - bright light


Somos ela e eu, nuas em pelo

Ritual invisível

Spiritual carinho

É dom


Ambas no colo, calmas

Até o final somos,

Too much,

Duas night fellows

Aconchegantes


Santana - Black Magic Woman

©Compulsão Diária

ESPETÁCULO VIVO! ©

Posted: terça-feira, 12 de maio de 2009
A vida que eu finjo é um circo.
E eu, palhaço de mim
dispo-me de todos os sorrisos
no calar do camarim.
No picadeiro da alma
eu domo as minhas feras
E o meu espírito despeja
todas as suas esperas.
Equilibrista de saltos
penso que existo:
Malabrista do acaso
Domadora de sobressaltos.
O trapézio me leva tão alto
para cima e além das vidas rasas.
E sem pesar eu me jogo no espaço
que fica entre o chão e minhas asas.
Olhos incríveis me habitam e seguram.
Mãos secretas me equilibram e curam.
E no momento do salto
Agarro me a mim mesma, enfim.
Cravo as unhas no meu sonho.
Reconheço o sorriso em mim.
Dispo-me da máscara.
Entrego-me ao real.
No picadeiro do meu ser
O espetáculo não tem final.

*Texto registrado na Biblioteca Nacional.
Todos os direitos reservados ©

Imagem: Google


DELITO

Posted:



DELITO
Ao Chico Buarque, com carinho.

Como expressar o que já foi
Deveria ir buscar a expressão
Não tem sentido expressar-me
Expressei em meus olhares
Não são mais expressivos
Expressar-me-ia se vida tivesse
Nem a cegueira seria boa expressão
Expressão com a boca
Não tem som, não ecoa
Não se expressa nem doída
Nem mordida!
Não tem mais pressa
Expressa talvez o delito
Talvez um erro de expressão
Um pecado...
Expressão do pleno ontem
Que hoje não é
E não será amanhã
Fazer o quê?
Se o coração não expressa
A real expressão do Amor
Que deixei certa e certeira no outro
E a verdadeira expressão
Foi embora
Levou o que aqui não ficou
A expressão não existe
Não delata
Nem o vazio seria...
Pois o vazio não é tudo
Não é mais nada,
Nem nada.

Cíntia Thomé


04/2008



.Imagem:CHICO BUARQUE Fotógrafa Glaudia Andujar- em 1968

Acaso

Posted: segunda-feira, 11 de maio de 2009
(gravura "Pavão misterioso" de Gilvan Samico)


Maria vinha de carro
Maria vinha de "a pé"
Maria vinha de barro
Maria vinha José

José tinha um sarro
José tinha sua fé
José tinha pigarro
José tinha rapé

Maria queria jarro
Maria queria café
Maria queria cigarro
Maria queria ter fé

José queria Maria
Maria queria José
José queria um dia
Maria queria, pois é


©joebrazuca-MMIX-sp/br

Natureza Morta, Cruel e Tarja Preta

Posted:
________Natureza Morta __________________________________________

Três laranjas e uma pêra

Verdes no vazio da fruteira,
Prenunciam vida na natureza
Morta sobre a mesa
À espera da alegria
De uma nova feira
__________ _____________________Cruel

Acordei uma aranha, hoje.

Levantei escura e fria
Espirrei veneno
Logo cedo
Na abelha benfazeja
Ela agonizava,

E eu? Bebia
Mel e morte
No primeiro café do dia
___________________

Tarja Preta __________

À margem da tarja,
Age a preta metade
Da tarde forjada
Por nervos frágeis

 


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Posted:


Vida, chega de farra :
O amor foi trabalhar pra manter o homem vivo
Não sei se volta ou é definitivo
E disse mais ainda
que poesia não alimenta a alma de quem sente
e que,meu Deus,___________A poesia mente!!!!



Neusa Doretto

Nada a fazer

Posted: domingo, 10 de maio de 2009

Nada a fazer

Por detrás das copas

Some a luz

Dia após outro

E nada podemos fazer

Se vem frio ou choro

Desconforto de papelão

Eco do ronco das tripas

Sem recheio, ocas

       Se falta abraço e sobra vazio

       Nada podemos fazer no escuro dos becos

       Na sombras estáticas

       Sob o lusco-fusco vermelhos das lanternas

Se não há teto nem estrelas

Se há sereno e chuvisco

Se água desce levando a cama

E os bueiros se enchem de pobreza

Nada podemos fazer

Se fecharam as escolas e inauguraram cadeias

Se derrubaram o cinema e abrigaram uma seita

Se arrancaram o sorriso com o último dente

Se esconderam as manhãs na penumbra dos prédios

Nada há de ser feito

       Se o arroz foi trocado por cola

       E a cola engana a fome teimosa

       E a pedra já não é só fuga, é hábito

       Se cada sentimento é camuflado

       Na dureza dos vincos precoces

       E a pele resseca e quebra na velhice adolescente

       Não há nada a ser feito.

Se a família foi trocada pelos iguais

E as paredes que cercam tem grades

Ou são as laterais do buraco raso

E a visão não segue mais que alguns passos

Até a cortina que esconde o futuro

Nada podemos fazer

Se livros nunca houveram

Nem brinquedos, papel e tesoura

Festa colorida de balões e risadas

Sonhos regados e adubados logo cedo

Afago e ensinamentos úteis além de um dia

Nada fizemos

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